O enriquecimento do vocabulário aumenta a compreensão do
mundo
Pense em alguém com um vocabulário reduzido, suficiente
apenas para viver em seu meio. Usam-se as palavras mais em função de satisfazer
seus instintos primários como comer, procriar, prover o próprio sustento e dormir.
São funções as quais nós todos carregamos em nossos genes. Naturalmente que a
vida não é só instinto, fosse assim a humanidade ainda estaria na Idade da
Pedra.
Fomos dotados de uma massa encefálica poderosa e flexível
como não há exemplo na natureza; e no Universo até o momento. A flexibilidade
de nosso cérebro é de tal ordem que quanto mais ele é solicitado, mais aumenta
sua capacidade de processamento. Contudo, para que a resposta seja satisfatória
há a necessidade de um conhecimento prévio daquilo que se quer saber. O
matemático, o físico, o biólogo, ampliam seus conhecimentos à medida que
avançam em seus estudos, numa demonstração de que o cérebro vai se moldando às
novas demandas. Por exemplo, nos deparamos com uma questão que não está nos
livros e nem na internet. O nosso cérebro então processa a questão buscando
respostas relacionadas àquela indagação numa tentativa de solucionar o
problema. Mas isso não acontece a frio, por assim dizer, é necessário que haja
um insight um súbito clarão, como a maçã caída na cabeça de Isaac Newton, que
provoque a reflexão. A Lei da Gravidade não surgiu do nada. Newton já tinha em
mente os cálculos necessários para dar consistência à sua teoria. Apenas não
conseguira verbalizar de modo lógico sua descoberta. A queda da maçã foi a
espoleta, vamos dizer assim, que detonou a explosão que clareou sua mente para
o que tinha a dizer.
O que quero explicar é que o raciocínio se especializa
quanto mais se amplia o conhecimento. E para que uma tese seja verbalizada, é
necessário que se tenha um sólido arcabouço teórico e, sobretudo, extenso
conhecimento da língua. Sigmund Freud é mais conhecido pelo seu virtuosismo na
escrita o que na psicologia é ferramenta indispensável para explicar nossos
fenômenos psíquicos. Quanto mais se amplia o vocabulário, novas soluções vão se
apresentando para o que antes parecia um mistério insolúvel. Conseqüentemente,
as possibilidades de entendimento crescem exponencialmente colocando-nos no
caminho da sabedoria.
E quem tem um vocabulário reduzido? Como descrever suas
tensões, seus impulsos, suas demandas, enfim, todo o extenso cabedal de
flagelos que nos atormentam a alma? Se não se consegue descrever, não se consegue
entender. Vive-se na penumbra de um mundo cinzento onde quase tudo é
incompreensível e hostil. Como explicamos na introdução desse artigo, uma
pessoa assim vive para satisfazer seus instintos primários. Dê-lhe uma casa,
uma cesta básica e um meio de prover seu sustento e ele não quer mais nada. Um
indivíduo pronto para ser manipulado atendendo a todos os pedidos de seu
provedor. É assim que os políticos fidelizam seu eleitorado. E é por isso
também que toda essa conversa de “conscientização” do povo redunda em
fracasso. O único modo de as pessoas se
conscientizarem é através do estudo, da educação. Sem isso, somos apenas
macacos guinchando na mata.
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