Quem não defende a ética e a honestidade? Bradamos
orgulhosos o quanto somos honestos, confiáveis e solidários. Nossos filhos
dizem a mesma coisa a respeito de si mesmos evocando o exemplo dos pais,
pessoas impolutas e incorruptíveis. Todavia, esse quadro róseo começa a se
modificar quando há algum interesse em jogo. E quem vive desinteressadamente?
Não há quem não viva em busca de atender às suas necessidades, os seus
interesses. E quanto maior o prêmio em jogo, maior a ânsia em ganhá-lo,
despertando em nós o desejo incontrolável de abocanhar a recompensa. Como
muitos alimentam o mesmo objetivo, instaura-se a disputa com o jogo
ultrapassando os limites da ética, quanto mais acirrada vai se tornando. O
processo vai se afunilando e trazendo a tona o espírito selvagem da guerra,
meio adormecido em nossa memória ancestral. A sociedade civiliza-se, mas os instintos
primários estão ali à espreita, prontos para vir a tona a um sinal de alerta.
Racionalmente queremos agir com espírito ético, desinteressado e altruísta. Ocorre que agimos de acordo com nossas emoções, vale dizer, irracionalmente. Somos guiados por nossas crenças, por nossos desejos, por aquilo que abala nossos corações, por mais absurda que seja essa motivação.
Todos os valores foram postos em xeque quando os meninos
passaram no vestibular e ingressaram na faculdade. A princípio aquilo que todos
os pais e filhos almejam como o ápice da carreira estudantil, mostrou-se com o
tempo, um cavalo de tróia. As faculdades, com raríssimas exceções, foram transformadas
pelo governo em centros de doutrinação marxista. Confiávamos, todavia, nos
valores democráticos a eles transmitidos, pois, como se sabe, todo regime
marxista é ditatorial como demonstram os países que abraçaram essa ideologia.
Eles resistiriam, pensávamos nós. Mas não contávamos com a poderosa influência
do grupo ao qual foram inseridos.
Muito de nossos valores são influenciados pelo meio onde
vivemos. E o grupo majoritário é quem impõe a base comportamental de seus
integrantes. Poucos resistem já que o ser humano é um animal gregário e quer
ser bem aceito no rebanho. Como uma cabeça jovem ainda em formação poderia
resistir a uma doutrinação maciça a qual são submetidos na faculdade? Neófitos
no ambiente acadêmico, mal se dão conta que estão sendo manipulados para
engrossar as fileiras do partido dominante hoje na política brasileira. Com
essa estratégia, o PT vai completando 16 anos no poder.
E todo aquele edifício laboriosamente construído nos valores da ética, da honestidade e na livre expressão do pensamento, virtudes outrora tão decantadas foram ruindo assim que o ministro do STF Joaquim Barbosa começou a atuar no julgamento do mensalão. Com enorme desgosto vimos nossos garotos atacarem a honra, a decência, a integridade, enfim, todo o cabedal de iniqüidades que foram insuflados pelo governo de plantão em sua tarefa de formação da militância obediente ao sinal de comando do comitê central do partido. Depois veio o Petrolão e nossos filhos, aqueles pimpolhos cheios de ideais nobres e meritórios, tão orgulhosos da honestidade exemplarmente repassada por seus pais passaram a chafurdar gostosamente no lamaçal, como típicos militantes petistas que são. E diante das provas cabais da roubalheira bradam enfezados: “todos roubam, não escapa ninguém.”
De repente papai e mamãe, muito mais o papai vez que mamãe não quer saber de política, viraram figuras
obsoletas, retrógradas, burgueses desprezíveis. O papi assinante da Veja então
tem de ser encaminhado para o limbo onde sua voz não seja ouvida, para que não
seja motivo de vergonha diante do grupo de militantes. E o papi constata que
ser velho é ser irrelevante. Se manifestar um pouco que seja, algum sintoma de
senilidade, real ou não, será levado ao asilo. Com profundo desgosto constata
que os papéis foram invertidos; em vez de se orgulhar da educação dada aos
filhos, eles é que tem motivos ou não de se orgulhar dos pais que têm, segundo
critérios por eles impostos.
Por que o papi insiste em falar de política? Seria tão bom
se ficasse quietinho acessando a internet, assistindo seus filmes, lendo seus
livros, bebendo sua cervejinha com os amigos. Será que ele nunca vai ceder?
Assim não vai dar.
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